quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Crítica do Amer: O Apocalipse


Vocês conhecem a série de livros Left Behind? Ela foi criada pelos autores Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins, e retrata a vida de um grupo de sobreviventes após o arrebatamento.

...

Ok, muitos de vocês não sabem o que é o arrebatamento.

BASICAMENTE, é quando Deus levará os bons para o Céu, todos de uma vez e deixará na Terra todos os lazarentos que não aceitaram Cristo como verdadeiro salvador. As pessoas deixadas para trás (daí o nome do livro, heim heim?) terão de sobreviver a sete anos de trevas, quando o mundo será palco da batalha final entre Jesus e o Capiroto.

Praticamente, um longa metragem dos Cavaleiros do Zodíaco.

Então... O Apocalipse é baseado no primeiro desta série de livros. E foca-se no início do arrebatamento, quando os sobreviventes ainda estão tentando entender e lidar com o que aconteceu.

...

Mas nada disso importa, porque estamos diante de um filme estrelado pelo ator favorito de toda a humanidade: NICOLAS CAGE!!!

BA-DA-BIM-BA-BIM-BUM!!!

ELE É NI-CO-LAS CAAAAAAGE!!!

A história gira em torno da família Steele, especialmente a filha Chloe (Cassi Thomson) e o pai Rayford (Nicolas Cage, VIVAAAA!!!). A garota mora longe, pois faz faculdade em outro estado, e sua relação com a mãe, Irene, deteriorou nos últimos meses.

O que acontece é que Irene (Lea Thompson, que interpretou a mãe do Marty McFly) tornou-se uma cristã devota. Do tipo que fica atrás das pessoas e insiste para elas entregarem suas vidas para Jesus, ou serão... Deixadas para trás (heim, heim?).

Bom, a atitude de Irene alienou sua filha e levou seu marido a ter um caso com um de suas comissárias de bordo. Esqueci de mencionar, Rayford Steele é um piloto de vôos comerciais... Porque não é nem um pouco perigoso colocar um avião nas mãos de Nicolas Cage.

Chloe briga com a mãe e sai para um passeio com seu irmãozinho... E o menino desaparece do nada, apenas suas roupas ficam para trás.

Não, o menino não virou um nudista mirim em uma atitude de rebelião contra o conformismo da sociedade burguesa. Ele foi levado embora pelo Arrebatamento, assim como milhões de pessoas ao redor do mundo.

Aparentemente, você só entra no Céu se estiver pelado. Deus é um voyeur, ou não gosta de ostentação de marcas de roupa.

Chloe então passa o resto do filme procurando desesperada pelo menino e pela mãe, que também sumiu. Pelo visto, Deus a perdoou por flertar com o próprio filho em De Volta para o Futuro.

Mas calma, fica pior! O avião que Rayford pilota também perdeu parte de seus passageiros. E o piloto terá de lidar com esta hecatombe fazendo uso de toda a gama de emoções que somente Nicolas Cage é capaz.

ÉPICO!!!
 
Nicolas Cage manja do que é épico

Agora, vamos falar de atuação, sim?

O genial Roger Ebert disse uma vez, que grandes atores são aqueles que não parecem estar atuando. Quando assistimos O Poderoso Chefão, não vemos Marlon Brando, mas sim Don Corleone. Quando assistimos Scarface, não vemos Al Pacino, mas Tony Montana. E quando assistimos Os Bons Companheiros, não vemos Ray Liotta, mas Henry Hill.

O que podemos aprender com isso... Fora o fato que eu assisto muitos filmes de gangsteres, é que a boa atuação faz o ator (ou atriz) desaparecer em seu personagem.

Não é isso que temos aqui.

Cassi Thomson não é crível como sua personagem. Todas as suas emoções soam forçadas. Sua raiva, sua confusão, sua aceitação do que está acontecendo, é como se ela estivesse o tempo todo tentando lembrar suas aulas de atuação e de como interpretar estas emoções da forma mais natural possível.

De fato, esta é a melhor descrição que posso dar para seu desempenho. Ela se esforça para parecer natural, o que tem o efeito exatamente oposto do que ela busca.

Chad Michael Murray interpreta o obrigatório par romântico da mocinha e o também obrigatório personagem masculino “cool”. Aquele que sempre mantém a calma, que sabe como lidar com qualquer situação de perigo e que consegue manter-se gato, mesmo que o mundo esteja literalmente acabando ao seu redor.

Agora, devido crédito a quem merece. Murray não está mal em seu papel, considerando o quão limitado seu personagem é. Ele é o “macho alfa” idealizado, o cara lindo que é bom em tudo, mas que ainda é um cara legal. Ele é um arquétipo, um personagem pronto... E seria preciso um ator de altíssimo quilate pra transformar algo assim em uma interpretação memorável. Murray faz o que pode e consegue ser uma das coisas menos irritantes do longa.

Mas a jóia da coroa é sem dúvida alguma, Nicolas Cage.

Que fique claro, eu gosto de Nicolas Cage e o considero um ator muito talentoso. Ele teve ótimos desempenhos em Valley Girl, Arizona Nunca Mais, Feitiço da Lua e até mesmo no recente Kickass – Quebrando Tudo, ele estava ótimo. E muitas vezes, Cage encontra uma forma de fazer uma atuação exagerada funcionar a seu favor, como em A Outra Face.

Mas aqui, ele simplesmente não dá a mínima. Acho que ele aceitou trabalhar neste filme apenas porque precisava pagar as prestações de uma nova TV HD de 60 polegadas, que ele comprou pra colocar no banheiro de casa.

Cage transmite NENHUMA emoção na maior parte do filme. Metade de sua tripulação sumiu, os ânimos de todos estão exaltados, seu avião não tem combustível suficiente e precisará fazer uma aterrissagem forçada... E nada disso o abala. Parece que ele está lidando com uma unha encravada e não com uma série de emergências.

De fato, na maior parte do filme, Cage encontra-se na cabine de pilotagem. Ele mal interage com os demais personagens, o que me faz crer que ele filmou todas as suas cenas em separado do resto do elenco, para poder acabar rápido e desfrutar logo da TV gigante em seu banheiro.

Bom... Quem pode culpá-lo? Eu adoraria jogar Skyrim em uma TV de 60 polegadas.
 
E tem Mods que nos permitem jogar Skyrim com Nicolas Cage.
Afinal, quem não quer ser Nicolas Cage?

Agora, antes de escrever o próximo trecho, quero deixar uma coisa bem clara: Eu não tenho problema nenhum com a fé, tampouco com qualquer religião do planeta. Acho que se a crença em um poder superior ajuda alguém a ser uma boa pessoa, isso é o que importa.

Da mesma forma, se o ateísmo é o que ajuda alguém a ser uma boa pessoa, então também é válido. O que importa pra mim, é que as pessoas sejam boas e se importem umas com as outras. Qualquer coisa que leve a este comportamento é válida pra mim.

Dito isso, O Apocalipse é um filme capaz de ofender a TODO MUNDO!!! Sejam cristãos ou não.

Ateus são mostrados como sendo completos cretinos. Eles são arrogantes, gananciosos, hedonistas, enfim, cada um possui um traço de personalidade negativo e é nisso que o filme se foca. Entendo que O Apocalipse é um longa religioso e que sua mensagem é “redenção através da crença em Cristo”, mas isso não é desculpa para se criar personagens tão unidimensionais.

E não é como se os cristãos fossem tratados de forma muito melhor no filme, não senhor. Eles são todos representados como fanáticos, que não tem medo de agredir verbalmente qualquer um que não compartilhe de sua fé. A personagem de Lea Thompson parece mais preocupada com o arrebatamento (bem antes dele acontecer) do que com a desintegração que causou em sua própria família.

Então, a mensagem deste filme é clara: Se você acredita em Jesus, sua alma será salva, mesmo que você seja um assassino canibal. Agora, se não carrega uma Bíblia consigo a todo tempo, então você vai queimar, mesmo que seja um voluntário na Cruz Vermelha ou no Médicos Sem Fronteiras.

Pessoalmente, acho este tipo de mensagem um desserviço, seja para quem tem fé, ou para quem não tem.
 
E Nicolas Cage não... Espera, VOCÊ NÃO É NICOLAS CAGE!
VAI EMBORA DAQUI, NINGUÉM GOSTA DE VOCÊ!

Então... Este é um bom filme?

Sim, e não.

As atuações são horrendas, a história é fraca e existem tantas inconsistências que você irá dar um tapa na testa em descrença a cada cinco minutos. Se você procura um drama sério sobre o fim do mundo, então esta não é a melhor opção para sua pessoa.

Mas se você é daquelas pessoas que gosta de reunir um grupo de amigos para assistir um filme porcaria e dar boas risadas com ele, então esta é a opção perfeita para seu fim de semana. O Apocalipse oferece uma dose imensa de humor involuntário e com certeza estampará inúmeros sorrisos nos rostos dos devotados fãs de cinema ruim.

E vocês ainda deixarão a sala de exibição com uma séria pergunta em suas mentes: Quanto do orçamento do filme foi dedicado a tapar a careca de Nicolas Cage?

Sim, foi uma piada óbvia, porém necessária.

NI-CO-LAS CAAAAAAGE!!!

O Apocalipse estreia no próximo dia 23 de outubro.

Cheers!!!

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