quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Crítica do Amer: November Man - Um Espião Nunca Morre


Eu não sou fã de filmes de espionagem. Em minha humilde opinião, tais produções sempre seguem um dentre dois caminhos extremamente pré-determinados.

No primeiro tipo, o protagonista se vê as voltas com algum crime ou mistério, e a medida que tenta solucioná-lo, bate de frente com uma conspiração imensa e muito pouco crível, que torna-se mais complexa a medida que o filme avança, até o ponto de tornar-se incompreensível em seus minutos finais.

Por exemplo, O Espião que Sabia Demais.

Certos críticos e esnobes de cinema adoram este tipo de filme. Eles sempre clamam que “entenderam tudo” e aceitam este tipo de obra como prova de superioridade sobre a plebe remelenta que prefere passar seu tempo com Star Wars ou Harry Potter.

O segundo tipo de filme de espião, é um jogo de machos. O protagonista é um machão, que se envolve em uma grande rede de intrigas e acaba em uma guerra de testosterona com seu inimigo. Os dois medem forças sem se importar com quantos inocentes morrem no caminho e no fim da história, descobrimos qual deles é o macho alfa da história.

Normalmente, o que acaba com a mocinha no fim. Mocinha esta que só existe como um joguete na história dos dois machos.

Todos os filmes de James Bond se encaixam nesta categoria.

November Man - Um Espião Nunca Morre tenta ser uma amálgama dos dois tipos, fracassa em ambos e consegue ser um dos longas mais maçantes e previsíveis da carreira de Pierce Brosnan.

E estamos falando de um homem que trabalhou em Não Sei Como Ela Consegue.
 
Digam o que quiserem, mas aguentar uma explosão deve ser menos ruim
que suportar a Sarah Jessica Parker

Aqui acompanhamos a história de Peter Deveraux (Pierce Brosnan), espião extraordinaire. O tipo de cara que frustra um golpe comunista no café da manhã, tem um caso extra-conjugal a tarde e espanca o marido de sua amante a noite. Um macho pra ninguém botar defeito.

RAWR!!!

Devereux é um ex-agente da CIA. Ele se aposentou após uma operação dar errado e custar a vida de uma criança. Após este incidente, Devereaux mudou-se para a Suiça, abriu uma cafeteria e passou a viver seus dias pacificamente entre hipsters e demais criaturas que desperdiçam seus dias em tais estabelecimentos, se entupindo de cafeína e usufruindo do wi-fi alheio.

Mas os dias de preguiça de Devereaux chegam ao fim, quando ele é contatado pelo seu antigo chefe, John Hanley (Bill Smitrovich), para realizar a extração de Natalia Ulanova (Mediha Musiovic), uma agente em solo russo. A moça passou os últimos meses fingindo ser a assistente do candidato russo Arkady Fedorov (Lazar Ristovski) e descobriu uma testemunha que pode associar Fedorov a crimes de guerra e acabar com suas chances de chegar à presidência

PAM-PAM-PAAAAAAAAAM!!!

Claro, Devereaux resgata Natalia... Mas ela é assassinada logo em seguida. OH! QUE SURPRESA!!!

Em seu último suspiro, ela revela o nome da testemunha: Mila Filipova. Começa então uma corrida contra o tempo, onde Deveraux precisa localizar a garota, antes de seus rivais da CIA e do próprio Fedorov. Além disso, o veterano entra em confronto com David Mason (Luke Bracey), seu antigo pupilo e responsável pelo fracasso da missão que o fez se aposentar.

DRAMAAAAAAA!!!

A única pessoa disposta a ajudar Devereaux, é Alice Fournier (Olga Kurylenko), uma assistente social que pode ter informações sobre o paradeiro de Mila Filipova. Obviamente, é como se ela pintasse um alvo enorme nas costas, pois absolutamente todos querem matá-la a partir do momento em que ela se associa ao agente. Mas que bom que ela tem um homem grande e forte para protegê-la, não?

Argh...

Como eu disse antes, November Man - Um Espião Nunca Morre não sabe o que quer ser. O filme alterna uma complexa conspiração política envolvendo a CIA, com cenas de ação cartunescas. Em um momento, o personagem de Brosnan está em um bordel arrancando informações vitais de um ex-oficial russo, na cena seguinte, ele tem de lidar com uma assassina profissional que parece ter saído da série Hitman.

Misturar ação com suspense é muito complicado e poucos diretores acertam na medida. Batman: O Cavaleiro das Trevas é um exemplo de como se faz isso da forma correta.

November Man é o exato oposto.
 
"Sou tão macho que ignoro o quão idiota é entrar voando
em uma sala cheia de bandidos armados. HA! Eu rio!"

Agora, vamos falar do elenco.

Todos estão péssimos.

Pessoalmente, acho que Pierce Brosnan não deveria mais atuar em filmes de ação. Isso não tem nada a ver com sua idade, mas com o tipo de “vibe” que ele passa.

Por exemplo, Liam Neeson tem 62 anos, mas tornou-se um excelente herói de ação nos últimos tempos. Isso porque ele passa a impressão de ser um cara muito sereno e amigável, mas capaz de arrancar os intestinos de alguém que ameace aqueles que lhe são queridos.

Brosnan, por sua vez, parece aquele cara que foi um gatão na juventude. O tipo com quem todas as mulheres queriam dormir, mas que hoje, é o tio da Sukita. O camarada que anda por aí com a camisa aberta, exibindo o peito peludo, se achando o máximo e sem perceber que seus melhores anos já passaram.

Sinceramente, acho que ele devia se dedicar mais ao papel de ex-arrasador de corações... Como ele fez em Mamma Mia. E ele estava ÓTIMO nesse filme.

... Sim, eu assisti Mamma Mia. É o maior legal, ok?

"Está pensando o mesmo que eu, Pinky?"
"Sim, Cérebro! Esta piada é previsível e totalmente sem graça."

Não que o resto do elenco esteja muito melhor. O personagem de Luke Bracey é um agente da CIA que recebe casos importantes e que é visto como uma peça vital dentro da organização, mas que vive atormentado, pois um dia foi rejeitado por seu mentor. Seria um conflito interessante, mas infelizmente é representado com a mesma emoção e interesse que um caixa de super mercado demonstra ao atender os clientes ao final do expediente.

E os vilões (sim, porque há mais de um) parecem ter saído de um episódio do Capitão Planeta. Eles são caricatos, parecem se esforçar para ser desprezíveis, como se não quisessem deixar dúvidas de que são eles a quem o público deve odiar. De fato, a única maneira de serem mais óbvios, é se amarrassem uma virgem na linha do trem, enquanto comem um gatinho assado no espeto.

Quanto às personagens femininas, elas só estão aqui para serem vítimas ou joguetes dos homens. Mesmo aquelas que supostamente são capazes de se virar, estão sempre um passo atrás de todos os machos alfas ao seu redor.

Mas serei justo. É difícil para qualquer ator dar vida a um personagem que consegue ser menos profundo que um pires. E tudo que os atores e atrizes deste longa tem para trabalhar, são estereótipos ligeiramente mais detalhados que a média. O elenco de November Man - Um Espião Nunca Morre teria mais chance de desenvolver seus personagens se eles fossem parte de um comercial de Sucrilhos.

Tony Tigre sempre traz a tona o melhor que há em cada ator.

Acredito que qualquer tipo de história pode ser interessante quando bem escrita. Mas acho que o cinema evoluiu o suficiente como forma de arte para deixar para trás este tipo de fantasia machistoide e belicista que só agrada a homens inseguros ou que já estão na crise da meia-idade.
 
"Trabalhe em November Man, eles disseram. Vai ser divertido
e nem um pouco objetificante, eles disseram..."

Em resumo, eu não gostei de November Man - Um Espião Nunca Morre.

Os personagens não passam de um bando de clichês, a trama é mal escrita, a grande conspiração parece algo saído de Chiquititas... Enfim. Este filme é uma perda de tempo absoluta.

Se quer passar por bons momento junto de Pierce Brosnan, tire seu Nintendo 64 do armário e jogue algumas partidas de 007 Goldeneye. Honestamente, eu acho que o senhor Brosnan também faz isso, quando quer lembrar os bons tempos em que seu nome era sinônimo de heroísmo e não de pelancas.

Cheers!!!

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