Este texto deveria ter entrado no ar na Terça Feira, mas o Blogspot pisou na bola comigo... fazer o quê?
Quero começar este artigo comentando algo que acredito, pouca gente notou.
Em Grand Theft Auto: Vice City, logo após o filminho de abertura, o jogador precisa guiar o “herói” Tommy Vercetti até o carro mais próximo e então começar a dirigir pela tresloucada cidade que dá nome ao game.
Ok, assim que se entra no veículo, há um anúncio de que as pontes da cidade estão interditadas e logo em seguida, uma música começa a tocar.
Algum de vocês já reparou que música é essa?
Billie Jean.
SEMPRE toca Billie Jean.
Tenho as versões de Ps2 e Xbox de Vice City e em ambas, a primeira música que ouvimos logo que o rádio começa a funcionar é Billie Jean, não importa quantas vezes se inicie um New Game.
O povo da Rockstar queria que o jogo fosse uma experiência completa de viagem no tempo direto para os anos 80 e decidiram que a melhor maneira de criar uma boa imersão no jogador seria tocando Billie Jean nos momentos iniciais do seu título.
Uma decisão tremendamente acertada na minha opinião, pois nada nem ninguém era maior que Michael Jackson nos anos 80 e suas músicas eram uma forma perfeita de nos fazer viajar no tempo.
Uma viagem que pelo menos pra mim será agridoce de agora em diante.
Pode ser um total clichê, mas 25 de Junho de 2009 é um daqueles dias fatídicos dos quais todo mundo se lembra o que estava fazendo quando recebeu uma notícia chocante.
Eu estava trabalhando no computador em casa, quando minha mãe me chamou em seu quarto e me pediu pra traduzir uma notícia que estava passando na CNN. O jornal dizia que Michael Jackson havia sido vítima de uma parada cardíaca e se encontrava hospitalizado.
Menos de dez minutos depois, a Band News noticiou que Michael Jackson tinha morrido, mas eu me prendi a crença de que se realmente tivesse acontecido, a CNN diria algo e que por hora, tudo não passava de especulação.
O tempo passou, diversos sites começaram a noticiar a morte de Michael Jackson, mas eu continuei esperando a confirmação via CNN.
Então a confirmação veio e eu fiquei em choque.
Minha tristeza foi meio abalada pelas piadas de mau gosto que alguns amigos começaram a fazer plo MSN, o que acabou me afastando quase que totalmente do Messenger pelo fim de semana inteiro.
E desde então estou meio anestesiado.
Digo, é meio difícil acreditar que Michael Jackson de fato morreu. O cara era um símbolo vivo de tudo que a década de 80 representou e eu esperava que ele ainda estivesse por aí quando eu apresentasse sua música aos meus filhos.
Mas infelizmente as coisas não acontecem da forma que a gente planeja.
Não sou um grande conhecedor de música, nem quero fazer parecer isso. Escuto exatamente as mesmas bandas e músicos há anos, com pouco ou nenhum acréscimo de novos talentos aos meus aparelhos de som.
Mesmo assim, devo dizer que Michael Jackson foi parte importante de minha vida.
Eu fui uma criança dos anos 80, nascido exatamente quando a década se iniciava. Comecei a escutar as músicas de Michael Jackson graças a minha mãe, que tinha os discos Off the Wall e Thriller.
De fato, sendo a criança consumista que eu era, eu tinha uma luva com brilho, exatamente como as que Michael Jackson usava e também uma jaqueta igua a que ele usava em Beat It.
Não lembro se a jaqueta era originalmente minha ou se eu a tinha roubado do meu irmão, mas não importa agora.
O negócio é que eu tinha essa parafernália e tentei muitas e muitas vezes imitar (sem sucesso) os passos de Thriller em casa, enquanto fazia cosplay de Michael Jackson.
Bons tempos...
Pode ser difícil pra gurizada de hoje em dia acreditar, mas o cara era maior que a própria vida nos anos 80. Sempre que ele lançava um novo videoclip, o mundo parava pra assistir.
Foi assim com Thriller, depois Bad e finalmente com Black and White.
O Fantástico anunciava durante a semana inteira quando planejava apresentar o lançamento de um dos videos de Michael Jackson e todo o Brasil marcava no calendário quando seria o dia para se prostrar em frente a televisão.
Lembro que quando o clip de “Remember the Time” estreou, havia um pelotão de amigos do meu pai aqui em casa. Eles haviam vindo buscar meu velho pra uma reunião importante ou coisa assim, mas assim que o vídeo se iniciou, todos ficaram imóveis assistindo.
E eu estou falando de homens de mais de cinquenta anos que não viam atrativo algum em sua música, todos só levantaram e foram embora depois que o clip acabou.
Este era o poder de Michael Jackson.
Maior que a vida, como eu disse antes! De que outra forma ele poderia estrelar seu próprio videogame?
Pois é, Moonwalker! Um dos primeiros e mais queridos jogos do console 16 bits da Sega até os dias atuais!
Michael Jackson gostava muito de videogames, tanto que sempre manteve um bom relacionamento com a Sega.
Como esquecer sua aparição em Ready 2 Rumble como um dos lutadores?
Socar o presidente Clinton com o Rei do Pop é uma experiência que todos deveriam ter em algum momento da vida, é o que eu digo!
Aliás, reza a lenda que Michael foi o produtor musical de Sonic 3.
Não tenho certeza disso, mas muitos fãs do jogo acreditam fielmente que é verdade e se for, é um motivo a mais pra jogar Sonic 3.
Mas honestamente, eu quis escrever este artigo não apenas como um tributo, mas como uma forma de desabafo.
Me dói muito ver a maneira que o mundo deu as costas a Michael Jackson e só está voltando a reconhecer seu valor após sua morte.
Michael Jackson era um artista de primeira, um indivíduo brilhantes, capaz de compor, cantar e dançar como a maioria de nós apenas sonha em fazer. Por duas décadas ele criou trabalhos de altíssima qualidade musical e entreteu pessoas do mundo inteiro com ele.
Mas em um dado momento, isso perdeu o valor.
As pessoas passaram a se interessar mais pelas mudanças em sua aparência e pelo seu estilo de vida excêntrico do que pelo seu talento e pela música que ele criava.
Jornais de fofocas entupiam as fuças do povo ignorante com teorias bizarras sobre os tratamentos que ele teria feito para “se tornar branco” e todo mundo engolia.
Todos esqueceram de todas as contribuições que ele tinha feito pela música e o reduziram ao status de uma aberração de circo. Alguém que no século dezenove seria trancado em uma jaula, exibido como curiosidade e em quem as crianças arremessariam restos de comida.
Então vieram as acusações de pedofilia e o mundo simplesmente as aceitou como se fossem uma verdade absoluta e incontestável.
Vamos pensar um pouco agora.
Nada nunca foi provado. Se Michael Jackson realmente tivesse abusado de crianças, vocês não acham que haveriam provas? Não haveriam marcas indeléveis na garotada supostamente molestada por ele?
E mais, levando em consideração o quanto os investigadores norte americanos levam mais a sério casos envolvendo celebridades, eu tenho certeza que reviraram o rancho Neverland em busca de provas e o fato de nunca termos ouvido resultados a este respeito significa que não havia nada pra encontrar.
Então vem um sabichão e afirma: “Ok, se ele não era pedófilo, por que vivia cercado de crianças?”
Simplesmente porque ele tinha mais afinidade com crianças do que com adultos.
Assim como uma professora, uma babá, um pediatra ou qualquer pessoa que se dedique a uma profissão no qual irá lidar com pimpolhos.
Por esta lógica, um homem que tenha decidido ter cinco filhos também é um pedófilo.
Entende aonde quero chegar?
Os pais deixavam seus filhos andarem com Michael Jackson, daí lembravam que o sujeito tinha uma fortuna estimada em milhões e ficavam gananciosos. Pessoas do pior tipo usavam seus filhos como instrumentos para extorquir uma das poucas pessoas genuinamente boas que existiam no mundo.
E o resto do planeta simplesmente foi na onda, apontando para alguém que um dia admiraram e o taxando como um monstro, simplesmente porque ele era diferente e teve sucesso na vida.
Porque ele era um adulto com coração de criança, algo que a sociedade não aceita.
O mundo se torna a cada dia um lugar mais cínico e hipócrita. Ao mesmo tempo que as pessoas se derretem para personagens fictícios com personalidade infantil (como o Hagrid de Harry Potter) elas apontam e caçoam de indivíduos reais que sejam assim também.
Aos homens é permitido cada vez menos sonhar e aqueles que ousam são abatidos.
Isso é algo que me entristece, pois a morte de Michael Jackson poderia ter sido facilmente evitada, caso ele tivesse recebido a ajuda que precisava. Eis uma pessoa muito solitária, triste e deprimida, que precisava urgentemente de socorro, mas que recebeu apenas chacota e desdém.
Não quero ser demagogo e dizer que devemos mudar o mundo, pois isto é impossível, mas acredito que todos devemos ter um pouco mais de boa vontade e a passemos para nossos filhos.
Pois acredito que este é um valor que vale a pena ser ensinado.
Desde a última quinta feira, não estou apenas triste, mas também com um enorme vazio no peito.
Os anos 80 foram a época mais feliz da minha vida, simplesmente porque eu era uma criança e não tinha preocupações. A vida era só desenhos, brinquedos, video games e diversão.
E agora, Michael Jackson morreu e levou os anos 80 consigo.
Ela não é mais aquela década especial que estava sempre viva ao meu redor, agora é uma época distante que infelizmente foi embora por completo.
Acredito que muitos se sentem como eu no momento.
Mas pelo menos temos o maravilhoso legado musical que nos foi deixado e acredito que devemos tratá-lo como o tesouro inestimável que ele é.
Eu vou ensinar minha filha a fazer o Moonwalk! E vocês?
É, eu sei que também vão...
Michael Jackson, você deixou um espaço em branco que jamais será preenchido. Onde quer que esteja, espero que fique em paz e descanse de sua vida turbulenta e sofrida, pois se tem alguém que merece isso, é você.
Obrigado por toda a diversão, músicas fantásticas e lembranças que nos deu em todos esses anos. Que Deus o abençoe.
E agradeço a todos que tiveram a paciência de ler meu desabafo. Que fique como um pequeno tributo a memória de alguém que eu admirava e que foi embora muito antes do que todos gostariamos.
Prova de que os bons morrem cedo...
E no próximo artigo, voltamos com nossa programação normal.
Cheers!