terça-feira, 12 de agosto de 2014

Crítica do Amer: Guardiões da Galáxia


Eu me considero um grande conhecedor do universo Marvel.

Sim, de fato. Pertenço a uma geração que precisava ler revistas em quadrinhos para receber sua dose diária de homens bombados vestindo collants e salvando o universo. Eu era o tipo de garoto eu levava um exemplar de Heróis da TV pra escola e era espancado por horas por isso.

Ahhh sim, bons tempos.

Por outro lado, cocei a cabeça quando vi que a Marvel ia lançar um filme chamado Guardiões da Galáxia. Digo, pelo nome, eu sabia que ia envolver os personagens espaciais da casa, aqueles que servem de decoração sempre que o Quarteto Fantástico ou os X-Men participam de alguma aventura intergaláctica, e dos quais esquecemos assim que os heróis voltam pra casa.

Sim, um filme só com personagens do segundo escalão da Marvel, quiçá, terceiro.

E aos poucos os nomes pipocaram. Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocket Raccoon, Groot... E minha curiosidade foi atiçada de vez. Não duvidei da capacidade da Marvel em momento algum. Se o estúdio conseguiu injetar carisma em um intragável como o Homem de Ferro, então com certeza poderiam fazer o mesmo por um grupo de personagens que quase ninguém conhece.

Assim o fizeram. E muito melhor do que eu jamais poderia imaginar. Arrisco dizer que Guardiões da Galáxia é o melhor filme que o Marvel Studios produziu até hoje.

Sim, vocês me ouviram.


Nossa história começa com Peter Quill (Chris Pratt), um bandoleiro espacial auto-intitulado “Senhor das Estrelas”, invadindo um templo esquecido num planeta deserto. Seu objetivo dentro do lugar, é encontrar um globo metálico, do qual ele se apropria sem grandes dificuldades.

Infelizmente, antes que possa aproveitar os frutos de seu trabalho, Quill é abordado pelos soldados de Ronan, o Acusador (Lee Pace), um fanático Kree. O rapaz foge de seus atacantes e então atravessa a galáxia em busca de um comprador para o artefato que acabou de encontrar.

Infelizmente, as coisas não são tão simples. Yondu (Michael Rooker), colega saqueador de Quill, que foi traído pelo rapaz, coloca uma recompensa por sua captura. Da mesma forma, Ronan quer o globo metálico que está em posse do rapaz, custe o que custar.

Antes que perceba, Quill se envolve com Gamora (Zoe Saldaña), uma das maiores assassinas da galáxia, Rocky (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel), mercenários interessados na recompensa pela cabeça do saqueador, e Drax (Dave Bautista), que acima de qualquer coisa, quer vingar a morte da esposa e da filha, assassinadas por Ronan.

 Então, estes cinco desajustados espaciais tem de aprender a trabalhar juntos, se quiserem sobreviver a todo um universo que quer suas cabeças. Em meio a tudo isso, está o artefato que Quill roubou, que pode ser algo muito mais importante do que todos imaginam.

Guardiões da Galáxia é uma mistura de gêneros muito bem feita. Uma aventura espacial leve, com muita comédia, mas momentos dramático genuínos, em doses muito apropriadas. É um filme que o fará rir, vibrar e chorar, de uma forma que se torna cada vez mais rara nos dias de hoje.

É, não foi a mais detalhada das sinopses, mas vou mantê-la assim mesmo. Quanto mais vocês se permitirem ser surpreendidos pelo filme, melhor.

E vocês serão MUITO surpreendidos.


Como é de praxe nos filmes do Marvel Studios, o elenco de Guardiões da Galáxia foi fenomenalmente bem escolhido. E todos representam seus papéis com maestria e muita naturalidade. Eles fazem toda essa galera espacial parecer genuína, não importa o quão coloridos e irreais possam parecer.

Chris Pratt é fenomenal como Senhor das Estrelas. Ele não tem o altruísmo inabalável que normalmente associamos a um protagonista do gênero, de fato, o personagem se assemelha mais a um “Han Solo bem humorado”. Peter Quill é um bandoleiro, se orgulha de ser um for da lei espacial e cresceu em meio a bandidos. Mas no fundo, ele é um cara legal, que se importa com as outras pessoas e que mesmo com alguma relutância, faz a coisa certa no final.

Ele não nasceu um herói como o Capitão América, os acontecimento a sua volta o moldam para esta função e ele aos poucos a aceita, de bom grado. É um desenvolvimento muito natural e bem feito, que vale a pena ser acompanhado.

Zoe Saldaña faz um papel muito bom como Gamora. A garota mantém erguida uma máscara de estoicismo e força inabaláveis, mas em alguns poucos momentos, deixa escapar o quanto se sente assustada e sozinha no universo em que vive. São cenas breves, mas bem orquestradas, em que a atriz trabalhou para demonstrar o quanto Gamora luta para esconder suas verdadeiras emoções. Além disso, ela deu uma dignidade ímpar  guerreira, e também podemos ver uma clara evolução de sua personalidade, conforme ela se abre mais com seus amigos.

Dave Bautista me surpreendeu bastante no papel de Drax. O ex-lutador tem limitda experiência como ator, e verdade seja dita, a forma como ele representa o Destruidor é um pouco dura. Mas isso funciona com o personagem, que involuntariamente torna-se uma das maiores fontes de humor na história. Com um pouco de prática, acho que Bautista pode se tornar um grandioso ator de personagens.

Mas as melhores coisas do filme são sem dúvida alguma, Rocket e Groot.

Rocky, o guaxinim, é quase como um Joe Pesci do espaço. Nanico brigão, que não leva desaforo pra casa, fala demais e é um sacana de marca maior. Mas apesar de tudo isso, traz cicatrizes psicológicas muito profundas por causa de seu passado. Bradley Cooper deu a ele uma atuação extremamente profunda e conseguiu criar momentos genuinamente emotivos com Rocky. Em algumas cenas com o personagem, não havia um só par de olhos secos no cinema.

Finalmente, Groot. Eu falo que Vin Diesel é um bom ator e ninguém leva a sério. Bom, Groot vai calar a boca de todos vocês. O homem árvore da turma fala apenas uma frase: Eu sou Groot. Mas Diesel cuidou para que a mesma tivesse diversas entonações diferentes, pra transmitir o que a criatura queria dizer no momento. Podemos ouvir compaixão, apoio, compreensão, repreensão e questionamentos na voz do gigante, que transparece uma inocência óbvia, mas que nunca soa forçada.

Quanto aos vilões, eles são igualmente fantásticos.

Lee Pace transformou Ronan, de um vilão de quinta que serviu de bucha de canhão pro Thor em histórias que ninguém se lembra, em um fanático religioso extremamente assustador. O tirano acredita que sua causa é justa e está disposto a cometer genocídio por ela. Poucas coisas são tão assustadoras quanto um monstro que crê que sua motivação é pura.

E claro, não podemos esquecer de Nebulosa, interpretada por Karen Gilliam. A personagem não tem muito tempo de tela, mas sua intérprete consegue trabalhar alguma profundidade nela, através de seu relacionamento complicado com Gamora (sua irmã adotiva) e o ciúme que ela sente por não ser a filha favorita de Thanos.

Ooops, eu mencionei Thanos... TEE-HEE!!!


Agora, se me permitem, eu gostaria de falar sobre algumas das reclamações que os fãs de quadrinhos tem feito em relação a este filme. Especificamente, sobre as mudanças realizadas na origem de alguns personagens.

Por exemplo, Drax. No filme, ele é um alienígena durão que perdeu a família. Nos quadrinhos, ele é um humano que foi transformado em gigante verde.Já o espírito da filha foi transformado em Serpente da Lua, uma heroína cósmica careca que é totalmente HOT.

MULHERES CARECAS SÃO DELICIOSAS! VOTO POR UM MUNDO ONDE MAIS MULHERES RASPEM SUAS CABEÇAS!

SIM, EU SOU UM TARADO!!!

Mas de volta a crítica.

Uma história assim funciona em uma mídia como os quadrinhos, onde TODO TIPO DE ESBÓRNIA É ACEITÁVEL. Mas quando uma história dessas é adaptada para o cinema, ela é desnecessariamente complicada e em nada ajuda no enredo.

Outra grande reclamação, é que Gamora não é sensual como sua versão em quadrinhos. Caso em questão:


Em sua encarnação original, Gamora é bonita, gostosa, sabe disso e não tem vergonha de sua sexualidade. O que eu acho algo sensacional de se apresentar o público nessa sociedade primitiva em que vivemos, que ainda condena mulheres que não escondam o quanto gostam de sexo.

Colocar uma personagem assim na telona seria um ótimo passo par a melhora da representação feminina no cinema. Mas... Não vai acontecer, ao menos em um filme da Marvel, que tenta manter todas as suas produções adequadas para a família.

Mesmo assim, acho que a versão de Gamora para o cinema é muito legal. Ela é durona boa parte do tempo, mas se permite momentos mais leves e bobos, como acontece com seus companheiros. E isso em minha opinião é algo anos luz a frente da eternamente emburrada Viúva Negra que vimos em Os Vingadores.


Guardiões da Galáxia é um daqueles filmes que não parece ter duas horas. Antes que você perceba, os créditos estão rolando e você quer mais. Diferente dos filmes de Lars Von Trier, com suas 82 horas de duração que parecem 114.

Talvez o segredo deste longa é que não esperávamos muito dele. Hype é a morte de qualquer produto cultural (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge que o diga) e o fato de ninguém ter levado muito a sério esta produção estrelada por um guaxinim e uma árvore, permitiu a ela uma chance digna de deixar todo mundo de queixo caído.

Os Guardiões da Galáxia terão de se esforçar um pouco mais para nos surpreender na próxima vez, mas não duvido que consigam. Um super grupo que viaje pelo universo com Jackson Five como trilha sonora é capaz de qualquer proeza.

Por hoje é só.

Cheers!!!

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